O Google está ampliando a exibição de anúncios no AI Mode para dez novos países, incluindo o Brasil, e isso pode mudar a forma como empresas B2B alcançam clientes em buscas mais conversacionais. As evidências oficiais mostram que a taxa de cliques nos anúncios do AI Mode já se equipara à dos resultados orgânicos, mas a monetização ainda é menor que a dos formatos tradicionais. Na prática, as marcas precisam adaptar campanhas, usar palavras‑chave de correspondência exata ou frase e monitorar relatórios agregados.
O essencial em cinco pontos
- O AI Mode do Google agora inclui anúncios em dez novos mercados, entre eles o Brasil, ampliando o alcance de campanhas B2B.
- Taxas de cliques nos anúncios do AI Mode são semelhantes às dos itens orgânicos, indicando aceitação do usuário.
- A monetização no AI Mode ainda é inferior ao dos formatos tradicionais, o que explica parte da desaceleração do crescimento da receita de busca.
- Anunciantes não podem segmentar AI Mode ou AI Overviews diretamente; devem usar correspondência exata, frase ou campanhas Performance Max.
- Limitações incluem falta de controle sobre o texto gerado pelos explicadores de IA e relatórios apenas agregados.
Contexto da expansão dos anúncios no AI Mode
Em maio de 2025, o Google anunciou a expansão dos anúncios dentro do AI Mode para dez novos países, entre eles Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Singapura. No comunicado oficial do blog.google, a empresa informou que, no quarto trimestre de 2026, pretende incluir Brasil, México e Reino Unido na lista de locais atendidos.
A decisão chega em um momento em que as consultas no AI Mode são, em média, três vezes mais longas que as buscas tradicionais, refletindo a tendência de usuários formularem perguntas mais conversacionais. Essa mudança de comportamento abre oportunidades para que anúncios apareçam em contextos mais ricos, como respostas geradas por IA ou comparações multi‑turn.
A expansão também inclui a introdução de anúncios multiturn nos Estados Unidos, permitindo que anúncios sejam exibidos em perguntas de acompanhamento dentro do AI Mode. Embora a funcionalidade ainda não esteja disponível no Brasil, a expectativa é que siga o mesmo cronograma de lançamento.
Impacto prático para empresas B2B no Brasil
Para empresas B2B, a presença de anúncios no AI Mode significa que as oportunidades de aparecer em consultas de alto nível de intenção – como comparações de fornecedores ou perguntas técnicas – aumentam. Contudo, a forma de segmentação permanece limitada: apenas palavras‑chave de correspondência exata, frase, campanhas Performance Max, Shopping e Broad Match podem servir quando a consulta tem intenção comercial direta.
A pesquisa do próprio Google, citada tanto no blog oficial quanto no artigo da Search Engine Journal, indica que as taxas de cliques (CTR) nos anúncios do AI Mode já são semelhantes às dos itens patrocinados listados organicamente. Isso sugere que os usuários consideram os anúncios tão relevantes quanto os resultados gerados por IA, o que pode melhorar a eficiência de investimento em mídia.
Na prática, as equipes de mídia precisam revisar suas listas de palavras‑chave, priorizando termos que reflitam perguntas mais detalhadas e exploratórias. Também é recomendável habilitar campanhas Performance Max, que abrangem correspondência ampla e permitem que o algoritmo do Google encontre oportunidades dentro do AI Mode sem necessidade de ajustes manuais extensos.
O que as evidências permitem concluir
A principal evidência oficial vem do comunicado de Philipp Schindler, Chief Business Officer da Alphabet, durante a chamada de resultados do terceiro trimestre de 2026. Ele apontou que a menor monetização no AI Mode foi um dos três fatores que contribuíram para a desaceleração do crescimento da receita de busca, que passou de 19 % no primeiro trimestre para 12 % no terceiro trimestre.
Além disso, a própria página de ajuda do Google Ads (support.google.com) reforça que os anúncios em AI Overviews e AI Mode são claramente rotulados como “Patrocinado” e não influenciam os resultados orgânicos gerados pela IA. Essa transparência é importante para manter a confiança do usuário e para que anunciantes compreendam que não há interferência editorial.
Com base nesses dados, podemos concluir que, embora a presença de anúncios no AI Mode esteja crescendo, a rentabilidade ainda está em fase de ajuste. As empresas devem encarar o AI Mode como um canal complementar, monitorando métricas de desempenho agregadas e ajustando lances conforme a resposta do público.
Limitações atuais e recomendações para B2B
Um dos limites apontados nas fontes oficiais é a impossibilidade de segmentar AI Mode ou AI Overviews de forma direta. Anunciantes não podem excluir ou incluir especificamente esses ambientes; apenas palavras‑chave negativas e exclusões de marca continuam válidas. Isso reduz o controle granular que muitas agências de mídia costumam ter.
Outro ponto crítico é que o texto exibido nos chamados “explicadores de IA” – curtas descrições geradas pelo Gemini a partir da consulta e de fontes públicas – não pode ser editado, aprovado ou optado por parte do anunciante. Essa falta de edição pode gerar situações em que o conteúdo gerado não reflita exatamente a mensagem da marca.
Para mitigar esses desafios, recomendamos que as empresas B2B adotem as seguintes práticas: (i) mantenham campanhas de correspondência exata e frase bem estruturadas, (ii) utilizem relatórios agregados de campanhas para acompanhar desempenho no AI Mode, (iii) testem formatos de anúncio “Sponsored” em ambientes de AI Overviews antes de escalar, e (iv) acompanhem as atualizações de políticas do Google, que podem introduzir novos controles de segmentação no futuro.
- Não há segmentação direta para AI Mode ou AI Overviews;
- Texto dos explicadores de IA é gerado automaticamente e não pode ser editado;
- Relatórios são agregados, limitando análises granulares.
Escrito por José Jarbas · Como produzimos este conteúdo
Fontes e evidências
As fontes abaixo sustentam as afirmações centrais desta análise. O acesso foi verificado na data indicada.
- Google Says Lower AI Mode Monetization Weighed On Search Growth via @sejournal, @MattGSouthernSearch Engine Journal · veículo especializado · acesso em 28 de outubro de 2026
- Ads in AI Mode expand to 10 new countriesblog.google · fonte oficial · acesso em 28 de outubro de 2026
- About ads in AI-powered experiences in Google Search - Google Ads Helpsupport.google.com · fonte oficial · acesso em 28 de outubro de 2026
Perguntas frequentes
Os anúncios no AI Mode substituem os anúncios tradicionais de busca?
Não. Eles coexistem; os anúncios tradicionais continuam aparecendo acima ou abaixo dos resultados orgânicos, enquanto os anúncios no AI Mode são inseridos dentro das respostas geradas por IA.
Como medir o desempenho dos anúncios no AI Mode?
A Google disponibiliza relatórios agregados nas campanhas de Search e Performance Max. Não há métricas individuais de cliques nos explicadores de IA, mas é possível analisar a variação de CTR e conversões nas campanhas que utilizam correspondência exata ou frase.
É possível excluir minha marca dos resultados de AI Mode?
Não há exclusão específica para AI Mode. As exclusões de marca e palavras‑chave negativas continuam válidas, mas não garantem que o anúncio não apareça em um explicador de IA.
Quando o Brasil receberá anúncios no AI Mode?
O blog oficial do Google indica que o Brasil está na lista de expansão planejada para o quarto trimestre de 2026.
Quais formatos de anúncio são elegíveis para AI Mode?
Campanhas de correspondência exata, frase, Performance Max, Shopping e Broad Match podem servir quando a consulta tem intenção comercial direta. Formatos de correspondência contextual não são elegíveis.
Este conteúdo identifica fontes, distingue fatos de análise e passa pela curadoria de José Jarbas, fundador da Ex.id. Conheça a metodologia.
